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Sábado, Abril 12

 
Oficinas ensinam a arte do biscuit

Amido de milho, cola branca, vaselina líquida e limão. Essa é a base da porcelana fria, o chamado biscuit. Com essa massa, é possível criar docinhos, bolos, pirulitos, bombons, bonecos, carros que enfeitam vidros, porta-retratos ou transformam-se em ímãs de geladeira, e outros objetos que a imaginação permite criar. Luciane Chies e Natália Macedo expõem seus trabalhos em biscuit até amanhã (13), na Galeria de Arte do Pátio Brasil Shopping.
Além disso, elas ministram oficinas gratuitas em que ensinam essa arte, também até amanhã, em dois horários, para duas técnicas diferentes. Às 10h, Natália ensina a fazer miudezas como chaveiros, bonecos, docinhos e outros. Às 14h é a vez de Luciane ministrar a Oficina de Potes, com ornamentação de vidros. O material utilizado nas oficinas é vendido no local pelas professoras em kits de R$ 5 a R$ 15.

Mais informações pelos telefones 244-4253 e 933-4383
fonte - Correio Web (Brasília - DF)

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Com mandado na Justiça, Gugu retoma concessão de TV

O apresentador Augusto Liberato, do SBT, obteve mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em que retoma concessão de canal gerador de TV em Cuiabá.

A concessão havia sido cassada em outubro passado pelo Ministério das Comunicações, após a Folha de S. Paulo revelar que a operação de compra do canal por Liberato era irregular.

Em dezembro de 2001, Liberato comprou a empresa vencedora de licitação, antes mesmo da aprovação pelo Congresso Nacional, em junho de 2002. A legislação só permite a transferência do controle de canais de TV após cinco anos de operação.

O mandado de segurança foi concedido pelo ministro Humberto Gomes de Barros no último dia 26 de fevereiro.

Pelo teor do despacho de Barros, os advogados de Liberato teriam argumentado que o governo federal não estaria cumprindo o contrato de concessão assinado em 23 de agosto de 2002, impedindo o início das operações do canal.

"Se o serviço não for iniciado no prazo, cancela-se automaticamente a concessão. Conjugam-se, pois, os pressupostos de concessão liminar do mandado de segurança", escreveu o ministro.

A concessão, no entanto, foi anulada pelo então ministro das Comunicações, Juarez Quadros, em 22 de outubro de 2002. Fátima Bruger, advogada e procuradora de Liberato, não foi localizada ontem à tarde pela Folha.

O Ministério das Comunicações recorreu, no último dia 28 de março, da decisão do ministro Barros. Na última segunda-feira, o ministério apresentou os esclarecimentos solicitados pelo STJ.

Gugu Liberato, que foi garoto-propaganda da campanha presidencial de José Serra (PSDB), em 2002, sonha montar uma rede de TV há seis anos. O apresentador já participou de várias concorrências, e perdeu todas.

Nos dois últimos anos do governo FHC, recebeu do governo autorização para operar mais de 30 retransmissoras de TV, que não necessitam de licitação. Com um canal gerador em Cuiabá, já poderia montar uma pequena rede.



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Governo Lula entra em crise com o FMI pela primeira vez

A lua-de-mel entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Fundo Monetário Internacional (FMI) parece ter acabado.

Explodiu ontem a primeira crise de uma relação que tinha começado com muitos afagos e elogios de ambos os lados. O motivo: o anúncio de que o governo ajustará, a partir de 2005, as metas fiscais fixadas no Orçamento da União ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o chamado mecanismo anticíclico, divulgado, na quinta-feira, pelo ministro do Planejamento, Guido Mantega.

Questionado sobre a proposta brasileira, o diretor-gerente do FMI, Horst Köhler foi taxativo. O governo Lula não deve recorrer a truques. A transparência no Orçamento é o mais importante fator para conseguir credibilidade nos mercados. Até agora, o governo (Lula) tem seguido essa linha e não tenho dúvidas de que continuará a fazê-lo, disse.

A resposta a Köhler foi imediata e partiu direto de Mantega. O FMI não tem que dizer ao presidente Lula o que ele tem de fazer. A proposta (do Brasil) ainda não foi entendida pelo Fundo, disparou o ministro o Planejamento, alegando que o superávit contracíclico permitirá ao governo ampliar os gastos na área social.

Apesar de muito contrariado com as declarações de Köhler, Mantega disse não esperar repercussão negativa nos mercados e nos organismos internacionais. Eu acho que não vai haver reclamações, afirmou. Mas, nos diversos encontros que manteve em Washington três deles na sede do FMI , onde participa do encontro de Primavera promovido pelo Fundo e o Banco Mundial, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci não teve como fugir do debate sobre o assunto.

Palocci não escondeu sua frustração. Ele sabe que o momento ainda é delicado para o governo anunciar medidas que possam gerar algum tipo de desconfiança junto aos investidores. Assessores próximos do ministro não descartam uma possível crise no governo, já que a proposta do superávit contracíclico poderia ficar fora do debate atual.

A medida, divulgada por Mantega e endossada no Senado pelo líder do governo na Casa, Aloizio Mercadante (SP), soou como ação de uma ala de economistas que tenta criar um contraponto ao grande poder que Palocci adquiriu no governo. Há também uma corrente achando que o jogo está combinado e que chegou a hora de Lula marcar suas diferenças na economia.


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Em São Paulo, protesto contra guerra termina em confronto com a PM

Um conflito entre manifestantes pacifistas e a Polícia Militar marcou o protesto contra a guerra no Iraque ocorrido hoje em São Paulo. Cerca de 2.000 pessoas participaram da manifestação, e cinco foram detidas.

O conflito ocorreu quando os manifestantes chegaram em frente ao consulado dos EUA, na rua Padre João Manuel. Um boneco que representava o presidente norte-americano, George W. Bush, foi queimado. Além disso, os manifestantes jogaram tinta vermelha e vísceras de animais contra a fachada do consulado.

Os pacifistas, que carregavam cartazes com fotografias de Bush vestido como o ditador Adolf Hitler, pediram a retirada imediata das tropas anglo-americanas do Iraque.

A intenção dos manifestantes era entregar um manifesto ao cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Patrick Duddy, mas não foram recebidos.

O consulado norte-americano foi cercado por 340 PMs, o que não impediu que os frascos de tinta vermelha e as vísceras fossem jogadas contra a fachada.


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Quinta-feira, Abril 10

 
Regime de Saddam entra em colapso em Badgá. Saques e celebrações tomam as ruas.


BAGDÁ - Um dos regimes mais longevos e brutais do Oriente Médio entrou em colapso na capital do Iraque nesta quarta-feira, 21 dias depois de os Estados Unidos terem decidido destituir Saddam Hussein - com uma guerra que até agora matou mais de 1.250 civis. Os militares dos EUA disseram que o regime iraquiano havia chegado ao fim mas afirmaram ser prematuro dizer que o conflito terminou. Algumas áreas de Bagdá ainda estavam sob controle de milícias e paramilitares leais ao ditador. Franco-atiradores ainda ameaçavam os soldados americanos e os comandantes alertaram que poderia haver mais lutas no Iraque - dentro e fora de Bagdá. Alegria e saques- No entanto, pouca coisa era capaz de conter as apostas na ruína do regime. Após semanas de bombardeios e batalhas por terra, Bagdá amanheceu nesta quarta emitindo sinais de um vácuo de poder sem precedentes no Iraque - 24 anos após Saddam ter estabelecido um violento Estado policial.

Cenas de celebração se misturavam às de distúrbios. Centenas de pessoas saíram às ruas em vários pontos da capital, rasgando posteres do ditador, invadindo prédios do governo, de onde levavam qualquer coisa que pudessem carregar. Multidões em júbilo jogavam flores e saudavam fuzileiros navais na Cidade de Saddam, distrito a nordeste da capital habitado por cerca de dois milhões de xiitas pobres. A população xiita - maioria no Iraque - foi brutalmente reprimida pelo ditador, que pertence à minoria sunita. Escritórios da ONU foram invadidos e saqueados. Um homem gritou para as câmeras da rede de TV CNN:

- Obrigado, senhor Bush, obrigado.

O prédio do Comitê Olímpico, quartel-general do filho mais velho de Saddam, Uday - um dos homens mais temidos e odiados do Iraque - foi incendiado. Durante a madrugada, soldados americanos esvaziaram cadeias da cidade, libertando prisioneiros.

No fim da tarde (horário de Bagdá), foi reproduzida no centro da capital uma cena típica da queda de regimes ditatoriais: a derrubada de uma das centenas de estátutas gigantescas do ditador que povoam o Iraque. Um grupo de mais de cem iraquianos se reuniu em torno da escultura, momentos depois de fuzileiros navais americanos terem chegado ao local, a bordo de tanques. Sob os olhos da imprensa internacional - abrigada em massa no Hotel Palestina à frente da praça - os militares americanos ajudaram iraquianos a derrubar a estrutura.

Aos gritos de 'Morte a Saddam!', os iraquianos bateram na estátua com pedras e chinelos e pularam sobre a estrutura. No local onde estava o boneco do ditador, prenderam uma bandeira do Iraque. Mais tarde, a cabeça da estátua foi arrastada pelas ruas da capital por um grupo de iraquianos.

Uma nota constrangedora, no entanto, marcou o episódio: um fuzileiro naval chegou a amarrar uma bandeira americana no rosto da estátua, num gesto que prometia despertar críticas da imprensa e de países árabes. Momentos depois, o soldado retirou a bandeira, provavelmente advertido por seus superiores.

No norte do país, na cidade de Arbil, região controlada pela minoria curda, uma multidão saiu às ruas para comemorar a queda do regime em Bagdá. Saddam é odiado pelos curdos iraquianos desde que o regime usou armas químicas contra a cidade de Halabja, em 1988, matando milhares de pessoas, e esmagou uma revolta da etnia após a Guerra do Golfo de 1991.

Havia outros sinais de que o regime havia entrado em colapso. Pela primeira vez desde o início da guerra, o ministro da Informação iraquiano, Mohammed Saeed al-Sahaf, não apareceu nesta quarta-feira para seu briefing diário a jornalistas. Al-Sahaf foi o rosto público do regime de Saddam Hussein durante a guerra. Os guarda-costas do governo, sombra dos jornalistas estrangeiros nos últimos 21 dias, também não estavam hoje no Hotel Palestina. Na capital iraquiana, era possível ver o prédio do Ministério de Finanças em chamas. Ainda não está claro se o prédio foi incendiado ou se foi atingido por um míssil ou algum outro tipo de armamento

Bush discreto- Os EUA, senhores da guerra ao lado da Grã-Bretanha de Tony Blair, mantinham a cautela apesar das cenas de Bagdá exibidas ao mundo pelas emissoras de TV. O presidente Bush disse acreditar que aquele era um momento histórico. No entanto, seu porta-voz, Ari Fleischer, disse:

- Por mais que o presidente esteja satisfeito com o progresso da campanha militar, continua cauteloso porque sabe que há um grande perigo que ainda pode estar à frente.

O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, comparou os episódios desta quarta-feira em Bagdá à queda dos regimes socialistas no Leste da Europa.

- As cenas de iraquianos livres comemorando nas ruas, montados em tanques americanos, derrubando estátuas de Saddam no centro de Bagdá são de tirar o fôlego - disse Rumsfeld. - Olhando para elas, não dá para não pensar na queda do Muro de Berlim e no colapso da Cortina de Ferro.

O paradeiro de Saddam permanece uma incógnita, mas os EUA estão mantendo o dircurso de que o mais importante é que ele não está mais no comando.

Rumsfeld disse não saber o paradeiro de Saddam, que, com seus dois filhos, vem sendo alvo de violentos bombardeios americanos - o mais recente na segunda-feira.

- Ele não está ativo. Portanto, ele está morto ou incapacitado, ou está saudável, mas acovardado em algum túnel, tentando evitar que seja apanhado - afirmou o secretário. - Saddam Hussein está agora assumindo seu lugar de direito ao lado de Hitler, Stalin, Lenin e Ceausescu no panteão dos ditadores brutais e fracassados, e o povo iraquiano está no caminho para a sua liberdade.

O general de brigada dos EUA Vincent Brooks, afirmou no Comando Central no Qatar que Saddam havia perdido controle de Bagdá para as forças americanas, mas alertou que seus homens continuarão as ações militares no Iraque, até que os "últimos remanescentes do regime sejam eliminados ou alguma autoridade iraquiana apareça" para ser formalmente destituída.

- A capital entrou na lista das cidades que estão fora do comando do regime - afirmou ele. - Acho que chegamos a um nível em que a população reconhece que o regime se foi - afirmou.

Os americanos reduziram dramaticamente a escala de seus ataques por ar e terra a Bagdá durante a madrugada e na manhã desta quarta-feira. Mas tropas da 3º Divisão de Infantaria e os fuzileiros navais aumentaram suas zonas de controle por uma área que agora chega a quase a metade de Bagdá. Houve pouca resistência nas últimas 12 horas, disse Brooks


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Domingo, Abril 6

 
Tragédia anunciada
Num dos piores acidentes ecológicos do País, vazamento tóxico contamina o leito dos rios, dizima a fauna e deixa 600 mil pessoas sem água


Uma semana depois de celebrar o dia mundial da água, o Brasil perpetrou um marco na história ambiental. Uma mancha tóxica resultante do processo químico de branqueamento do papel se alastrou por quase 100 quilômetros de rios, deixando mais de 600 mil pessoas sem água e um cenário desolador. Foi um dos mais graves desastres ecológicos do País. O acidente começou na madrugada do sábado 29, quando 1,2 bilhão de litros de resíduos tóxicos vazaram do reservatório da fábrica Cataguazes Indústria de Papel, no município mineiro de Cataguases. O veneno de coloração negra cobriu o ribeirão Cágado, impregnou o rio Pomba e se estendeu pelo rio Paraíba do Sul, que abastece os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

Embora tenha ocorrido em solo mineiro, a catástrofe ambiental assombrou mesmo o Estado do Rio. A espuma química afetou o abastecimento de pelo menos sete municípios e já atingiu o litoral fluminense. A cidade mais afetada foi Campos, a maior do norte do Estado, com quase meio milhão de habitantes. O impacto da espuma tóxica diminui à medida que segue para São João da Barra, em direção
ao mar. Na trajetória, flora e fauna foram totalmente destruídas.
Apesar dos avisos para que a população não se alimentasse dos
peixes que se debatem nas águas turvas, em busca de oxigênio, os moradores de pequenos distritos, como Portela, em Itacoara, não atenderam ao pedido.Houve quem pegasse para comer os peixes
que se contorciam nas margens do Paraíba do Sul. Diziam que água
limpa e limão seriam suficientes para descontaminar, explicou, petrificado, o biólogo Guilherme Souza.

De manhã, em vez de ir ao trabalho ou à escola, muitos moradores das cidades no norte e noroeste do Rio de Janeiro munem-se de baldes, garrafões, jarros e caixas de isopor e se postam na fila dos caminhões-pipa da Defesa Civil para encher seus recipientes. Outros caminham até poços artesianos. Repetem a trajetória duas, cinco, dez vezes ao dia, dependendo do tamanho da família. Quem tem maior poder aquisitivo compra galões de água potável, que, além de escassos, subiram de R$ 3 para R$ 12 o galão de 20 litros , apesar do apelo das autoridades para que os comerciantes não elevassem os preços.

Numa expectativa otimista, serão necessários pelo menos cinco anos para que os rios sejam recuperados. Acrescente-se o tempo para repovoá-los de peixes, já que a mortandade foi grande. A empresa é reincidente em crime ambiental. Na primeira vez, há dez anos, a razão social era Indústria Matarazzo de Papel e Celulose e ela foi autuada por causar poluição e funcionar sem licença. Como muitos agora defendessem uma punição exemplar, a empresa foi multada em R$ 50 milhões, mas pretende recorrer da decisão. Segundo o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas, José Carlos Carvalho, será aplicada multa baseada na lei de crimes ambientais, que calcula o valor de acordo com o dano provocado. A fabricante de papel reciclado já avisou que não tem condições de arcar com uma indenização desse montante. Negligência houve. A empresa diz que o problema era do proprietário anterior, mas o passivo ambiental é da administração atual, explica Carvalho. Não podemos tergiversar, mas o fato é que o fechamento da empresa vai trazer a demissão de quase 280 pessoas em Cataguases, preocupa-se. Eis aí uma ironia.

A Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) quer responsabilizar os proprietários da empresa e a Fundação do Meio Ambiente de Minas (Feam), já que a fábrica funcionava sem licença ambiental. Os responsáveis pela omissão podem pegar de dois a cinco anos de detenção, além da multa. Na quinta-feira 3, o juiz Marcelo Luzio Marques, da 1ª Vara de Justiça Federal de Campos, decretou a prisão de um dos donos da Cataguazes, João Gregório do Bem, e de seu diretor administrativo, Félix Santana.

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EUA cruzam Bagdá para desafiar Saddam Hussein

BAGDÁ - Uma coluna de cerca de 50 veículos militares americanos entrou repentinamente neste sábado em Bagdá, em uma missão de reconhecimento destinada, acima de tudo, a enviar uma mensagem de desafio a Saddam Hussein. O Iraque negou a entrada das tropas americanas e disse, sem apresentar provas, que o aeroporto internacional, tomado pelas tropas invasoras na quinta-feira, foi reconquistado neste sábado.

A coluna de blindados entrou pelo sudeste da cidade e usou algumas das principais avenidas da capital iraquiana para subir até o Rio Tigre. O jornal "The New York Times" afirma que as tropas alcançaram o centro de Bagdá. Segundo a agência Reuters, os tanques circularam pelo bairro de Dawra, na área sul, a 12 quilômetros do centro, e dali rumaram para noroeste, até o aeroporto internacional, a 16 quilômetros da cidade.

Antes de deixar a capital, o comboio atacou um quartel da Guarda Republicana, a tropa de elite de Saddam, relataram a CNN e a FoxNews.

Fontes militares disseram, sem dar detalhes, que unidades tomaram vários pontos estratégicos nos arredores da capital, em outras operações. Alguns pontos seriam a norte da capital, uma área de que a infantaria dos EUA ainda estaria distante. Há possibilidade de que, pelo norte, tropas especiais estejam participando das operações para fechar o cerco à capital iraquiana.

A caminho de Bagdá, outras tropas da 3ª Divisão de Infantaria anunciaram a tomada do quartel-general da Divisão Medina da Guarda Republicana, a 50 quilômetros de Bagdá. Nos arredores da base, foram encontrados centenas de bunkers e trincheiras, além de dezenas de peças de artilharia, armas antiaéreas, tanques e caminhões para transporte de tropas. Segundo a CNN, não havia nenhum soldado iraquiano no quartel. Quando as tropas americanas entraram em Suwayra foram saudadas por centenas de pessoas nas ruas.

Imagens da incursão em Bagdá foram exibidas pelas emissoras Al-Jazeera e CNN. O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeef al-Sahaf, disse que as imagens, exibidas inicialmente pela Fox News, são uma fraude, porque teriam sido gravadas a dezenas de quilômetros da capital, em uma localidade onde as tropas leais a Saddam teriam freado o avanço dos americanos.

Al-Sahaf disse que o centro de Bagdá está sob firme controle das forças iraquianas.

- Vocês podem ir e visitar esses lugares - disse ele. - Não há nada lá. Há postos de controle iraquianos e tudo está OK.

Segundo fontes militares americanas, a operação durou três horas e houve enfrentamentos esporádicos com combatentes iraquianos e com a Guarda Republicana. Segundo o jornal "The New York Times", um tanque se perdeu e o soldado que o conduzia morreu.

- Nós temos sim tropas na cidade de Bagdá. Elas estão no meio da cidade de Bagdá - disse o capitão americano Frank Thorp, no Comando Central dos EUA, baseado no Qatar, possivelmente enquanto a missão ainda estava em curso. - Nós vamos continuar avançando.

A coluna foi formada por duas companhias da 3ª Divisão de Infantaria do Exército. Em entrevista coletiva a jornalistas no Comando Central dos EUA, o general americano Victor Renuart disse que as tropas americanas continuarão entrando em Bagdá como e quando quiserem, mas alertou que a guerra contra as forças do presidente Saddam Hussein está longe de ter terminado.

- (A incursão) É uma mensagem clara sobre a capacidade das forças da coalizão de se mover no momento e para onde escolherem - disse Renuart, general-de-divisão da Força Aérea americana.

Segundo o Comando Central dos EUA, mais de 20 tanques avançaram pela principal rodovia da capital em direção ao centro de Bagdá e depois se juntaram às tropas americanas que estão no aeroporto.

Um correspondente da agência Reuters não viu tropas americanas ao circular pela cidade, mas disse ter encontrado soldados e paramilitares iraquianos nas ruas, preparando-se para um confronto na capital e uma invasão americana a partir do sul. Era possível ouvir artilharia intensa, segundo ele.




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