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Quarta-feira, Outubro 8
Origens de Gaudí
As "invenções" do mestre catalão estão no Museu de Arte de São Paulo (Masp)
 
Formas -detalhes dos mosaicos feitos com restos de louça (ao lado) e torre de prédio (acima 1), ambos no Parque Güell; e a imponente e inacabada Igreja da Sagrada Família (acima 2): exemplos de genialidade que Gaudí deixou em Barcelona.
Originalidade é voltar à origem. A frase é do arquiteto e artista catalão Antonio Gaudí (1852-1926) o autor da conhecida e ainda inacabada Igreja da Sagrada Família, do Parque Güell, da Casa Milà, e de tantos outros projetos inovadores, feitos na virada do século 19 para o 20. Suas construções foram erguidas na Espanha, em sua maioria em Barcelona, mas, agora a sua obra está mais perto dos brasileiros.
A exposição Gaudí, que ocupa o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), reúne desenhos, fotografias, maquetes e até fragmentos originais de materiais que o catalão utilizou em seus projetos. É uma mostra de caráter biográfico, realizada pela Real Cátedra Gaudí, da Universidade Politécnica da Cataluña. Já esteve montada na Coréia, no Japão, em Taiwan e cidades européias no ano passado, quando foram comemorados 150 anos de nascimento do arquiteto. A mostra apresenta o artista desde sua formação, 15 de seus principais projetos e personagens de sua época como artistas, artesãos e clientes - não poderia faltar o rico industrial e mecenas barão Eusebio Güell Bacigalupi, que estabeleceu uma relação de amizade e profissional com Gaudí por mais de 40 anos.
O arquiteto catalão também é figura em mais duas exposições na capital paulistana: uma no Centro Cultural São Paulo, que será inaugurada no dia 15, e outra na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), já aberta para o público.
Na mostra no Masp, com curadoria assinada pelo professor e arquiteto espanhol Joan Bassegoda Nonell - diretor da Real Cátedra - e pelo também arquiteto Mario Andruet, estão reunidas mais de 140 peças referentes a Gaudí. Há desenhos originais, aquarelas, guaches, maquetes, móveis, modelos em gesso de detalhes dos edifícios, fragmentos de cerâmica - como os curiosos mosaicos que adornam o imenso Parque Güell, portas, lajotas e fotografias.
Na montagem, ganham destaque os projetos da Sagrada Família, Casa Milà (1906-1911) - chamada também de La Pedrera - Casa Batllò (1904-1906) e do Parque Güell (1900-1914), as mais conhecidas.
Obra-prima
Antonio Gaudí Cornet nasceu em 25 de junho de 1852, na cidade de Reus, e só em 1878 ganhou o título de arquiteto pela Escola Provincial de Arquitetura de Barcelona. No dia 7 de junho de 1926 - no fim de sua vida, dedicava-se inteiramente à Sagrada Família, sua "obra-prima" iniciada em 1882 - foi atropelado por um bonde. Morreu no dia 10 de junho daquele ano e foi enterrado na cripta da igreja em que tanto trabalhou. Quando morreu, somente uma das torres havia sido concluída e, em 1936, a construção voltou a ser interrompida. Foi retomada somente décadas mais tarde e é polêmica a sua construção.
Elementos característicos na produção de Gaudí, a curva, os arcos parabólicos, o uso de ferro forjado - como nas sacadas da Casa Milà, os mosaicos de pedaços de azulejos - "uma composição gerada por uma decomposição", luz, cor e brilho para suas construções, e, curiosamente, a carpintaria, como se pode ver pelas cadeiras desenhadas pelo arquiteto. Há, também, o zoomorfismo. Originalidade é voltar à origem. No caso de Gaudí, "origem é a natureza", "obra de Deus".
As formas de Gaudí eram consideradas impossíveis segundo os preceitos técnicos de sua época.
Exposição GaudÍ. ONDE: Masp, av. Paulista, 1.578, São Paulo, tel.: (11) 251-5644. QUANDO: Até 7/12. De terça a domingo, 11 às 18h. QUANTO: R$ 5,00 a R$ 10,00.
posted by Circwebcard 10/8/2003 07:05:39 PM
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