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Domingo, Abril 3

 
Biografia de João Paulo II
João Paulo II, o primeiro Papa eslavo, protagonizou um dos pontificados mais longos e controversos do século XX, dominado pela influência em alguns dos acontecimentos políticos mais relevantes da história recente.
João Paulo II, Karol Wojtyla de seu verdadeiro nome, nasceu a 18 de Maio de 1920 em Wadowice, perto de Cracóvia, no sul da Polónia. Depois de manifestar algum interesse pelo teatro e literatura acabou por enveredar pelo sacerdócio, a conselho do cardeal Spiheda.
Durante a invasão nazi da Polónia, Wojtyla e um grupo de jovens polacos criaram uma universidade clandestina, como forma de resistirem ao encerramento das universidades polacas, decretado pelos alemães. O futuro Papa ainda chegou a trabalhar como mineiro.
Ordenado sacerdote em 1946, Wojtyla licenciou-se em Teologia na Universidade Pontifícia de Roma Angelica e, mais tarde, em Filosofia, desempenhando depois as funções de docente na Universidade Católica de Lublin e na Universidade Estatal de Cracóvia, onde conheceu importantes representantes do movimento católico polaco.
Em 1958, foi consagrado Bispo Auxiliar do Administrador Apostólico de Cracóvia, monsenhor Baziak, tornando-se o mais novo membro do Episcopado polaco.
Participou nos trabalhos do Concílio Vaticano II e, com a morte de Baziak, em 1964, passou a desempenhar as funções de Bispo, cargo que ocupou durante dois anos, altura em que o Papa Paulo VI elevou Cracóvia a Arquidiocese.
Três anos mais tarde, em 1967, o arcebispo Wojtyla era ordenado cardeal.
A 16 de Outubro de 1978, depois da morte de João Paulo I, 33 dias após a sua eleição como Papa, Karol Wojtyla foi eleito, aos 58 anos, como o 265/o sucessor de Pedro à frente dos destinos da Igreja Católica, interrompendo mais de 400 anos de eleição de Papas italianos.
Um defensor dos direitos humanos
Adoptou o nome de João Paulo II em homenagem ao seu antecessor e depressa se colocou do lado da paz e da concórdia internacionais, com intervenções frequentes em defesa dos direitos humanos e das Nações.
Nos mais de 2400 discursos e documentos que escreveu, promoveu sempre uma Europa do Atlântico aos Urais e foram frequentes as condenações dos conflitos, como no caso da Jugoslávia ou do Médio Oriente, do Afeganistão e do Iraque.
A Igreja Católica é, no entanto, frequentemente criticada por não ter realizado as grandes reformas que os católicos esperavam depois do Concílio Vaticano II.
O casamento dos sacerdotes, a ordenação de mulheres e os princípios tradicionais da Igreja Católica no domínio da moral sexual, nomeadamente quanto ao uso de contraceptivos (num mundo em que a epidemia de Sida faz milhões de vítimas) e ao direito ao aborto, são matérias em que o Vaticano permaneceu irredutível durante o pontificado de João Paulo II, criando um fosse de incompreensão e afastando da Igreja muitos católicos.
Lutou contra o comunismo na sua Polónia natal e ajudou a derrotá-lo no mundo, mas também criticou o Ocidente opulento e egoísta, dando voz ao Terceiro Mundo e aos pobres.
João Paulo II pediu perdão
João Paulo II pediu perdão, a 12 de Março de 2000, pelos erros e crimes cometidos pela Igreja no passado, especialmente contra os judeus, pedido repetido junto ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, o lugar mais sagrado do judaísmo.
As comemorações do Jubileu do ano 2000 representam outro marco deste pontificado, tendo a Igreja Católica assinalado os 2000 anos do nascimento de Jesus Cristo com mais de 30 dias festivos consagrados às diferentes categorias de fiéis, iniciados com o Jubileu das crianças e terminados com o do mundo do espectáculo, e uma Carta Apostólica indicando o caminho a seguir no «Novo Millennio Ineunte» (novo milénio que agora começa).
A imagem de João Paulo II a fechar a Porta Santa da basílica de São Pedro no Vaticano, a 6 de Janeiro de 2001, ficará para a história de um Jubileu em que o Papa apelou a uma «nova evangelização».
Histórica foi também a viagem que João Paulo II fez à Ucrânia entre 23 e 27 de Junho de 2001, a primeira a um país da ex-União Soviética, apesar da oposição do patriarca ortodoxo de Moscovo, Alexis II, que acusou a Igreja Católica de «proselitismo» nos territórios tradicionalmente ortodoxos e impediu o Sumo Pontífice de encontrar-se com os chefes das comunidades religiosas ucranianas, maioritariamente ortodoxas.
Nesta deslocação, o Papa homenageou a Igreja Católica grega (dita uniata, fiel ao Vaticano mas de rito oriental), duramente perseguida durante o regime comunista, que confiscou muitos dos seus bens, e apelou à unidade entre católicos e ortodoxos, envolvidos desde a independência do país, em 1991, em disputas muitas vezes violentas por paróquias, bens e fiéis.
João Paulo II pediu também perdão pelos «erros» cometidos contra os ortodoxos, garantindo que os católicos «perdoam as torturas sofridas», e efectuou, pela primeira vez segundo o rito bizantino, a beatificação de 27 ucranianos, 26 vítimas da repressão comunista e uma vítima do genocídio nazi.
Papa surpreendeu todos
Em Novembro de 2001, o Papa surpreendeu todos quando decidiu fazer uma peregrinação de comboio a Assis (Itália), convidando todos os líderes religiosos mundiais a rezarem pela paz na Basílica de S. Francisco, numa altura em que as tensões entre as religiões eram grandes, devido ao agravamento do conflito no Médio Oriente e à intervenção norte-americana no Afeganistão, originada pelos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos.
Esta Oração Mundial Pela Paz, que se realizou a 24 de Janeiro de 2002 e foi presidida por João Paulo II, reuniu em Assis líderes de 48 confissões de todo o mundo (à semelhança do que acontecera em 1962 e 1986), que se comprometeram a «não utilizar o nome de Deus em altares de violência» e a trabalhar em conjunto pela paz.
Noutro plano, João Paulo II expressou a sua «tristeza e vergonha» pelos abusos sexuais de menores cometidos por padres em várias partes do mundo, que afectaram seriamente em 2002 a credibilidade da Igreja Católica e, em particular, a hierarquia eclesiástica dos Estados Unidos, acusada de encobrir actos pedófilos de sacerdotes seus.
João Paulo II e Fátima
Fátima ficará para sempre ligada a João Paulo II, já que, de acordo com fontes da Igreja, o chamado «terceiro segredo de Fátima» terá sido a revelação aos três pastorinhos do atentado de que o Papa foi vítima na praça de São Pedro em Roma, a 13 de Maio de 1981, quando o turco Ali Agca o atingiu a tiro na mão esquerda, abdómen e braço direito.
Foi também em Fátima que o padre espanhol Juan Fernandez Khron atentou contra João Paulo II a 14 de Maio de 1982, mas desta vez sem consequências para o Papa.
Esteve hospitalizado várias vezes em consequência do primeiro atentado e foi submetido a seis operações, nomeadamente a uma fractura do colo do fémur em 1994.
A este quadro clínico, somava-se a doença de Parkinson, de que também sofria, sequelas dos ferimentos do atentado e de um cancro no intestino e uma hemiplegia facial que visivelmente lhe dificultava a fala.
Apesar da debilidade física que marcou a fase final do seu pontificado, e que suscitou, em várias ocasiões, rumores sobre a sua morte, nunca perdeu a capacidade missionária.

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Papa João Paulo II morreu
O Papa João Paulo II, 84 anos, morreu , confirmou o Vaticano. Católicos por todo o mundo choram, emocionados, no dia do adeus ao Sumo Pontífice.
A notícia do falecimento do Papa, depois de uma longa agonia, chegou à Praça de São Pedro, enquanto cerca de 60.000 pessoas rezavam o Rosário para acompanhar o Sumo Pontífice nos últimos momentos da sua vida.
Poucos minutos depois, começaram a repicar os sinos da Basílica de São Pedro, após os longos aplausos da multidão, em sinal de respeito, que se seguiram ao anúncio da morte de João Paulo II.
A informação foi em primeiro lugar confirmada pelo porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls. «O Santo Padre morreu às 21:37 de Roma , no seu apartamento privado», afirmou.
Depois do falecimento de João Paulo II, que esteve 26 anos à Frente da Igreja Católica, coube ao Cardeal Carmelengo Eduardo Martínez Somalo verificá-la oficialmente na presença do mestre de Celebrações Litúrgicas Pontifícias e dos clérigos da Câmara Apostólica.
Em seguida, foi lavrado o documento ou acta autêntica da morte pelo secretário e chanceler da Câmara Apostólica.
O Cardeal Camerlengo selou depois as instalações pontifícias, onde apenas terá acesso e poderá permanecer o pessoal habitualmente residente, até ao sepultamento do Papa.
O Anel do Pescador e o Selo de chumbo - símbolos do poder papal - são destruídos pelo cardeal camerlengo.
Por todo o mundo, os sinos dobraram nos templos católicos de Roma e da Polónia, o país natal do Papa João Paulo.

Imagens

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